Imagine uma fábrica onde o trabalho nunca para. Recentemente, a empresa UBTECH mostrou robôs humanoides que trabalham 24 horas por dia. Quando a energia está acabando, eles mesmos vão até a estação de carga, trocam a própria bateria e voltam ao posto de trabalho. Não há cansaço, não há férias e, principalmente, não há salários.
Esse cenário, que parece saído de um filme de ficção científica, nos traz uma reflexão sobre o futuro do sistema em que vivemos.
Leia também: Na minha época a internet era lenta e muito mais divertida!
O grande problema: máquinas produzem, mas quem compra?
As empresas estão correndo para usar a Inteligência Artificial (IA) e robôs porque isso aumenta muito a produtividade e diminui os custos. É muito mais barato manter um robô da UBTECH do que pagar um funcionário humano com todos os seus direitos.

Mas aqui existe uma armadilha para a economia: o sistema atual só funciona porque as pessoas trabalham, recebem salários e usam esse dinheiro para comprar produtos e serviços. Se a IA e os robôs ocuparem a maioria das vagas de trabalho, o lucro das empresas vai subir rápido, mas o povo vai perder o poder de compra. Se ninguém tiver dinheiro para consumir, as empresas não terão para quem vender. É um ciclo que pode simplesmente quebrar.
A tecnologia vai ficar restrita aos mais ricos?
Isso me faz pensar em outro ponto que discuti recentemente aqui no TecnoUp sobre o fim do PC Gamer. Lá, eu falei sobre como poderemos ter apenas “computadores burros” em breve, onde todo o processamento pesado acontece na nuvem.
Mas e se o acesso a essa tecnologia e aos dispositivos ficar tão caro que apenas os muito ricos consigam pagar? Qual seria o sentido de criarmos IAs superpoderosas se a grande massa da população não tiver condições financeiras de acessar ou utilizar essas ferramentas? Se a tecnologia criar um abismo social ainda maior, o sistema que conhecemos hoje deixará de fazer sentido.
Leia também: O FIM do PC Gamer? Entenda por que você poderá ter apenas um “computador burro” em breve
Trabalho ou Sobrevivência?
Muitas pessoas definem quem são pelo seu trabalho. Mas, na verdade, a maioria de nós trabalha para garantir a sobrevivência. Se as máquinas passarem a fazer tudo, teremos que repensar como a renda será distribuída.
Alguns especialistas sugerem a criação de uma “Renda Básica Universal” (um pagamento feito pelo governo para todos os cidadãos), já que o mercado de trabalho tradicional pode não dar conta de empregar todo mundo. Mas será que isso vai funcionar?
Leia também: Casas inteligentes de Elon Musk sendo vendidas no Brasil? Saiba a verdade e onde comprar modelos reais
Conclusão: Estamos em uma encruzilhada
A Inteligência Artificial não é apenas uma “ferramenta nova”, ela é uma mudança total nas regras do jogo, assim como aconteceu na Revolução Industrial. O crescimento econômico gerado por essas máquinas precisa chegar às mãos de todos. Se a riqueza ficar presa apenas nos donos dos robôs, o sistema econômico pode colapsar.
Não posso ser hipócrita em dizer que não gosto das facilidades que a IA está trazendo para nós. Eu mesmo a utilizo praticamente todos os dias para me auxiliar no meu trabalho, e isso está me trazendo grande agilidade nos processos.
Mas a reflexão que eu quero deixar aqui neste artigo é: Essa tecnologia servirá para libertar o ser humano ou para excluí-lo de vez da economia?
Assista abaixo o vídeo que inspirou essa reflexão: A inteligência artificial pode significar a destruição do capitalismo como conhecemos hoje?
