Sabe aquela sensação estranha de você estar conversando com um amigo sobre um assunto aleatório — algo que você nunca pesquisou no Google — e, minutos depois, abrir o Instagram e dar de cara com um anúncio exatamente sobre aquilo? Eu já passei por isso, você provavelmente já passou por isso, e a resposta das empresas sempre foi a mesma: “é apenas coincidência”.

Mas novas evidências sugerem que não é bem assim e envolve nomes como Google, Microsoft, Meta e Amazon.

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O que é o “Active Listening” ou Escuta Ativa?

A polêmica voltou à tona através de uma investigação do site Mashable e do grupo 404 Media. Eles encontraram detalhes sobre um serviço chamado Active Listening (Escuta Ativa), oferecido por uma empresa de publicidade americana chamada CMG (Cox Media Group).

A proposta deles é perturbadora: usar o microfone de dispositivos inteligentes — como seu celular, Alexa ou até sua Smart TV — para monitorar conversas em tempo real.

Um homem misterioso ouvindo três pessoas usando seus aparelhos.
Imagem ilustrando um homem misterioso ouvindo três pessoas usando seus aparelhos.
 Crédito: Iconic Bestiary / Shutterstock.com

Por que a conversa é mais valiosa que a pesquisa? Pense comigo: nem tudo o que você pesquisa no Google você quer comprar. Às vezes é só curiosidade. Mas, quando você conversa naturalmente com alguém sobre um interesse real, isso é “ouro puro” para os anunciantes. A CMG afirma que seus aplicativos podem captar essas intenções de compra de forma orgânica, apenas “ouvindo” o ambiente.

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O caso real do “Seguro Agrícola”

Encontrei um relato curioso de um usuário que ilustra bem o problema. Ele recebeu um amigo fazendeiro em casa e eles conversaram sobre como o clima estava prejudicando a colheita. Esse usuário não trabalha com fazendas e nunca pesquisou sobre o tema.

Horas depois, ao abrir o Gmail, ele foi bombardeado por anúncios de seguro agrícola. Sem pesquisa, sem cliques, apenas uma conversa na sala de casa com o celular no bolso. É esse tipo de “coincidência” que nos faz questionar até onde vai nossa privacidade.

O perigo além da publicidade: Câmeras e Babás Eletrônicas

Isso abre um precedente perigoso. Se o microfone está aberto para publicidade, quem mais está ouvindo? Eu mostro muito aqui no canal câmeras baratas e interessantes, mas já vi relatos de pessoas que tiveram suas câmeras Wi-Fi invadidas à noite, com estranhos assustando bebês através do alto-falante da câmera usada como babá eletrônica.

A questão é: quando deixamos esses dispositivos entrarem na nossa área privada, estamos realmente sozinhos ou estamos sendo expostos para terceiros?

Leia também: Meta App Installer, Services e Meta AI: Como economizar bateria e garantir privacidade no seu Android (Guia 2026)

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O que dizem as Big Techs

Como era de se esperar, o Google, a Microsoft, a Amazon e a Meta negaram tudo. A Meta, inclusive, afirmou publicamente que “não usa o microfone para anúncios” e que está entrando em contato com a CMG para esclarecer que os dados deles não vêm do Facebook ou Instagram.

Eles sempre “tiram o corpo fora”, mas as evidências de parcerias e a existência comercial desse tipo de serviço de escuta ativa deixam uma pulga atrás da orelha de qualquer um.

Conclusão: Dá para confiar?

Eu, particularmente, duvido muito que esses recursos não sejam utilizados. Vivemos em um meio onde a privacidade está se tornando um luxo. A menos que a gente se mude para o meio do mato, sem sinal de satélite, estamos sendo monitorados de alguma forma.

Assista a seguir, o meu vídeo onde falo mais detalhadamente sobre esse assuntos.

Fonte: Canal TecnoUp no YouTube.

Mas e você? Já teve essa experiência de conversar sobre algo e ver o anúncio logo em seguida? Você confia nas negativas das Big Techs ou sente que seu celular é um espião no seu bolso? Comenta aqui embaixo, quero muito saber a sua opinião!

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