Existem itens de colecionador que valem milhões por sua beleza ou raridade. Mas, no mundo da tecnologia, um notebook específico atingiu o valor astronômico de 1,345 milhão de dólares por um motivo assustador: ele contém seis dos vírus mais devastadores da história da computação.
Conhecido como “The Persistence of Chaos” (A Persistência do Caos), o dispositivo — um Samsung NC10 de 2008 rodando Windows XP — não é apenas um computador velho, mas uma peça de arte digital criada pelo artista chinês Guo O Dong em colaboração com a empresa de cibersegurança Deep Instinct.
Por que ele vale tanto?
O valor não está no hardware, mas no seu “estoque” letal. O notebook está isolado (air-gapped), sem conexão com internet ou portas USB funcionais, para evitar que as pragas digitais se espalhem. Dentro dele, residem:
- ILOVEYOU: O worm de 2000 que afetou milhões de PCs via e-mail.
- MyDoom: Um dos vírus de propagação mais rápida da história.
- SoBig: Um cavalo de Troia que causou bilhões em danos.
- WannaCry: O ransomware que paralisou hospitais e governos em 2017.
- DarkTequila: Um malware sofisticado focado em roubo de dados bancários.
- BlackEnergy: Famoso por causar um apagão cibernético na Ucrânia em 2015.

(Foto: Divulgação/The Persistence of Chaos)
Juntos, estima-se que esses vírus tenham causado um prejuízo global de mais de US$ 95 bilhões.
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Arte ou Ameaça Digital?
O objetivo de Guo O Dong foi materializar ameaças que normalmente vemos como abstratas. Em entrevista ao The Verge, o artista afirmou que queria mostrar como o mundo digital e o físico estão interconectados:
“Malwares são uma das maneiras mais tangíveis de como a internet pode saltar da tela e te atingir”.
Para ser vendido legalmente, o comprador precisou assinar um termo concordando em não conectar o aparelho a nenhuma rede. O laptop foi vendido como uma “peça de estudo e história da computação”.
Curiosidade: O que aconteceu depois?
O leilão, que foi encerrado oficialmente em 28 de maio de 2019, recebeu o lance final de US$ 1.345.000. Apesar da cifra astronômica e do interesse global, a identidade do comprador permanece um mistério absoluto. O arrematante optou pelo anonimato, e o notebook foi enviado sob rígidas condições contratuais: o novo dono assinou um termo reconhecendo que a máquina é uma “obra de arte ou objeto de estudo acadêmico” e comprometeu-se a nunca conectar o aparelho a qualquer rede ou disseminar o malware.
O Destino de “The Persistence of Chaos”: Sete anos após o seu leilão épico, o The Persistence of Chaos permanece como a peça de arte digital mais perigosa do mundo. Arrematado por um comprador anônimo por mais de 1,3 milhão de dólares, o paradeiro exato da máquina em 2026 é um segredo guardado a sete chaves, provavelmente em uma coleção privada onde o ‘caos’ permanece devidamente isolado do resto do mundo. O projeto não teve sucessores diretos no site oficial, o que elevou o status deste notebook de 2008 a um artefato lendário da história da cibersegurança e da arte contemporânea.
Atualmente, em 2026, acredita-se que o laptop esteja em uma coleção particular protegida, funcionando como uma cápsula do tempo digital de “armas históricas”. Como o site oficial (thepersistenceofchaos.com) ainda está no ar, ele serve como um memorial digital do projeto, mas não registrou novos leilões de dispositivos infectados desde então.
Outros Leilões e o Legado do Artista
Embora o site The Persistence of Chaos tenha sido um evento único focado especificamente naquele Samsung NC10, o coletivo MSCHF (que colaborou com o artista Guo O Dong na criação da peça) continuou a realizar leilões e lançamentos extremamente provocativos e virais. No entanto, nenhum outro leilão sob o nome específico de “Persistence of Chaos” foi realizado, mantendo a exclusividade e o valor histórico daquela peça original.
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Este vídeo contextualiza o leilão e discute como a máquina se tornou um catálogo físico de ameaças digitais que marcaram gerações.
