Você consegue imaginar o mundo hoje sem o iPhone, o MacBook ou o iPad? Pois saiba que, em 1997, a Apple esteve a pouquíssimos dias de fechar as portas para sempre. Com uma dívida acumulada de US$ 1,6 bilhão, a empresa que hoje lidera o mercado global estava tecnicamente quebrada.
Neste artigo, vou contar como Steve Jobs, em uma jogada de mestre (e muito desespero), buscou ajuda no lugar mais improvável do mundo: a sua maior rival, a Microsoft.
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O retorno triunfal de Steve Jobs em 1997
Para quem não se lembra ou não era nascido, 1997 foi o ano em que a internet discada começava a ganhar corpo aqui no Brasil. Foi também o ano em que Steve Jobs retornou à Apple como CEO, após ter sido demitido em 1985 em meio a brigas internas com John Sculley.
Jobs encontrou uma empresa sem rumo e com a moral no chão. Uma das minhas curiosidades favoritas desse período é que ele passou a “faca” em vários projetos que não davam lucro, como o Apple Newton (o tataravô do iPad que não vingou). A Apple precisava de foco e, acima de tudo, de dinheiro em caixa.
A rivalidade histórica dos anos 80
Para a gente entender o peso desse acordo, precisamos voltar à década de 80. Naquela época, o Macintosh era o rei da inovação, mas a Microsoft lançou o Windows e mudou o jogo.
A briga não era só por vendas; era nos tribunais. Em 1988, a Apple processou a Microsoft alegando que o Windows 1.0 era uma cópia da interface gráfica do Mac. A Microsoft venceu a disputa e, enquanto Bill Gates nadava de braçada, a Apple entrava em uma decadência profunda.
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O “Pacto com o Diabo”: Bill Gates no telão da Macworld
Em 6 de agosto de 1997, durante a Macworld Expo, Steve Jobs subiu ao palco para anunciar algo que ninguém acreditava. De repente, a imagem de Bill Gates apareceu gigante no telão.

O público ficou em choque. Houve vaias e aplausos confusos. Jobs anunciou que a Microsoft estava investindo US$ 150 milhões em ações da Apple.
O que a Apple ganhou com isso?
- Fôlego financeiro imediato para pagar dívidas.
- O fim de todas as disputas judiciais de patentes.
- A garantia de que o Microsoft Office e o Internet Explorer seriam lançados para o Mac (o que era vital para que profissionais continuassem usando computadores Apple).
A capa da revista TIME daquele mês foi icônica: Steve Jobs ao telefone agradecendo a Bill Gates por ter salvado a companhia.

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Do quase fim ao império do iPhone
Muitos fãs da maçã na época sentiram que a parceria era um “golpe baixo”, já que a Microsoft era vista como o inimigo número um. Porém, sem esse dinheiro, a Apple não teria tido fôlego para lançar o iMac G3 (aquele colorido transparente) em 1998, que colocou a empresa de volta nos trilhos.
Logo depois, veio a sequência de sucessos que conhecemos bem: o iPod, o iTunes e, finalmente, em 2007, o iPhone.

O que aconteceu com as ações?
Curiosidade para quem gosta de mercado financeiro: antes do acordo, as ações da Apple valiam cerca de 85 centavos. Meses depois, já passavam de 1 dólar. A Microsoft acabou vendendo sua participação em 2003. Se Bill Gates tivesse segurado essas ações até hoje, esse investimento de 150 milhões valeria centenas de bilhões de dólares!
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Apple e Microsoft hoje: Concorrência saudável?
Hoje, a rivalidade ainda existe, mas é muito mais equilibrada. Vemos o Office rodando perfeitamente no iPad e serviços da Apple chegando ao Windows. A lição que fica é que, no mundo da tecnologia, até os maiores rivais podem se unir para garantir a sobrevivência e a inovação.
A história da Apple é um exemplo de resiliência e de como uma liderança focada pode transformar uma empresa à beira do abismo na marca mais valiosa do planeta.
E você, conhecia esse detalhe da história? Acha que a Apple teria sobrevivido sem a Microsoft? Deixa seu comentário aqui embaixo, vamos trocar uma ideia!
